
Foi nesse caminho — longo, luminoso por fora e silenciosamente árido por dentro — que conheci pessoas extraordinárias. Gente inteligente, sensível, talentosa. Pessoas que sonhavam com o mundo, mas acabaram vencidas por aquilo que chamaram de sucesso.
No início, caminhavam de mãos dadas com afetos simples. Riam alto, sentavam à mesa sem hierarquias, ouviam mais do que falavam. Mas algo mudou quando os aplausos chegaram. Vieram também as cadeiras reservadas, os auditórios lotados, as palavras difíceis e os discursos polidos. E, junto com tudo isso, um distanciamento quase imperceptível — porém fatal.
Foram enganados por vãs filosofias, embaladas em frases motivacionais e verdades pela metade. Cercaram-se de oportunistas que elogiavam suas conquistas, mas jamais suas almas. Aos poucos, abandonaram amores antigos, trataram amizades como degraus já ultrapassados e passaram a olhar com desconfiança tudo o que era simples demais para suas novas vidas “prósperas”.
O medo de se misturar. O receio de manchar a imagem. A urgência de parecer bem-sucedido. Assim, ergueram muros onde antes havia pontes.
E é curioso — ou trágico — perceber que muitos acreditaram que o crescimento exige afastamento, que a elevação cobra solidão, que a prosperidade pede indiferença. Esqueceram-se de algo essencial: nenhum sucesso é legítimo quando custa a perda da própria humanidade.
Dentro de auditórios requintados, com palestrantes disputados e promessas reluzentes, ou em igrejas de mensagens aveludadas, confortáveis demais para confrontar, o verdadeiro Professor já havia falado. Sem palco, sem microfone, sem cobrança.
Ele deixou apenas uma lei. Simples. Profunda. Inescapável:
“Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, e ao teu próximo como a ti mesmo.”
E completou, sem margem para negociações:
“De graça recebestes, de graça darás.”
Não havia estratégia de mercado ali. Não havia status. Apenas amor, entrega e verdade.
Talvez o maior fracasso não seja cair, mas subir tanto a ponto de não reconhecer mais quem esteve conosco quando ainda éramos chão. Talvez o verdadeiro sucesso não esteja em quem nos aplaude, mas em quem nos conhece de perto — e ainda assim permanece.
Essa reflexão não é uma acusação. É um convite. Um chamado suave, porém urgente, para descer do pedestal e voltar ao encontro. Para trocar o brilho falso pela luz que aquece. Para lembrar que prosperar sem amar é apenas acumular vazio.
Porque, no fim, só permanece aquilo que foi dado. E só é livre quem ama sem medo de parecer pequeno.
Por Roberto Faustino.
