A insustentável leveza

O mundo meus amigos, está de ponta-cabeça. Eu sei, eu sei. Não é nenhuma novidade. Mas repare bem: não parece que a lógica tirou férias prolongadas em alguma ilha remota, e o absurdo assinou o ponto? As pessoas, ah, as pessoas! Transitam por aí como folhas ao vento, mudando de opinião, de paixão e de rota com a mesma facilidade com que trocamos de roupa.

É como um festival de relativismos, onde a palavra de ontem é apenas uma piada de mau gosto no almoço de hoje. O que era inegociável se torna flexível; o que era eterno vira um status de rede social com prazo de validade.

Mas, vejam só, no meio deste turbilhão de instabilidade e volubilidade humana, onde a desconfiança é a moeda corrente, ainda existem os teimosos. Os irredutíveis.

Eles são a minoria, a (quase) extinta guarda que insiste em manter as bandeiras levantadas. E eu me refiro àqueles que ainda tratam o amor com a seriedade de um juramento e a fé com a firmeza de um alicerce. Aqueles que, contra todas as tendências e o ceticismo da época, permanecem fiéis aos seus amores — a parceria escolhida, cuidada, renovada — e aos seus princípios de fé — o norte moral, a bússola que impede o barco de naufragar no mar do “tanto faz”.

E, por mais que me olhem com a estranheza reservada aos dinossauros, preciso confessar: eu me incluo nesta confraria. No meio da liquidez geral, sou um bloco de gelo que se recusa a derreter. Não por arrogância, mas por uma obstinação antiquada em valorizar a constância sobre a conveniência. Queiram ou não, o absurdo pode até ter mudado o mundo, mas alguns corações ainda batem no ritmo do que é sólido e duradouro. E a crônica de hoje é só um pequeno brinde a essa resistência.

Por Roberto Faustino.

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading